segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Parto de gêmeas geradas pela avó está marcado para esta noite, diz mãe

Humberta Carvalho Do G1 GO
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Mãe de 51 anos empresta barriga para filha ter gêmeas, em Santa Helena, Goiás (Foto: Fernanda Medeiros/Arquivo Pessoal)Mãe de 51 anos emprestou a barriga para filha ter gêmeas (Foto: Fernanda Medeiros/Arquivo Pessoal)

O parto das gêmeas geradas no útero da avó foi marcado para as 19h30 desta segunda-feira (7) em um hospital no Setor Aeroporto, em Goiânia. A informação foi dada ao G1 nesta tarde pela mãe biológica das crianças, a funcionária pública Fernanda Medeiros, de 34 anos.
Os bebês se desenvolveram no útero da avó, a dona de casa Maria da Glória, de 51 anos. A família é de Santa Helena de Goiás e já estava na capital aguardando o dia do nascimento. A previsão para a cirurgia cesariana era para quando a dona de casa atingisse a 37ª semana, no final desta semana. "O médico disse que pode ser que elas fiquem na UTI porque estão com 36 semanas. Vamos torcer para dar tudo certo", disse Fernanda.
De acordo com a família, avó e netas estão em perfeitas condições de saúde. Na última ultrasonografia, realizada no dia 2 deste mês, uma das gêmeas media 45 cm e pesava 2,1 kg e a outra tinha 44 cm e estava com 2,5 kg.
Registro Civil
Fernanda afirma que ainda não conseguiu autorização da Justiça para que ela e o marido, pais biológicos das gêmeas, possam registrá-las em seus nomes. A advogada da família, Léa Carvalho, conversou com o G1 por telefone e explicou que o Ministério Público (MP) deu parecer favorável ao pedido. “O MP autorizou que a unidade hospitalar que fizer o parto emita a declaração de Nascido Vivo no nome dos pais biológicos. Agora, falta a decisão do juiz de Santa Helena”, explicou.
No entanto, a família das gêmeas reclama que não há juiz na cidade para dar o parecer. “Quando levamos o processo à juíza, ela disse que estava saindo do cargo na cidade e, por isso, não poderia analisar o processo. Depois, entrou uma juíza no plantão, mas também não fez nada alegando que o processo não foi protocolado no plantão dela. Depois, disseram que iria um juiz para a cidade, mas até agora nada”, lamentou Fernanda.
Sem a autorização, a declaração de Nascido Vivo será registrada no nome da mãe de Fernanda, dificultando assim que os pais biológicos registrem as crianças. A advogada explica que, sem os documentos no nome dos pais, as gêmeas não podem ser incluídas no plano de saúde deles, e a funcionária pública não pode tirar licença-maternidade para cuidar das filhas.
Mãe de 51 anos empresta barriga para filha ter gêmeas, em Santa Helena, Goiás (Foto: Fernanda Medeiros/Arquivo Pessoal) 
Avó em ultrassom pouco antes do 6º mês
  (Foto: Fernanda Medeiros/Arquivo Pessoal)
O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás para saber quando haverá um juiz em Santa Helena, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

Presente
De acordo com a dona de casa que emprestou o útero para a filha, o empréstimo é um “presente”. Fernanda Medeiros perdeu o útero há 20 anos. Mãe de três filhos, Maria da Glória já tem um neto de 9 anos e teve de emagrecer 11 quilos e voltar a menstruar para poder gerar as netas.
Fernanda conta ainda que está fazendo um tratamento para tentar amamentar as filhas. No entanto, a questão da amamentação das crianças ainda não foi definida e está sendo acompanhada de perto por uma psicóloga. “Vamos esperar para ver qual vai ser a melhor maneira para elas [as gêmeas]”, avaliou a mãe dos bebês.

Retirada do útero
Fernanda descobriu que não poderia ter filhos aos 13 anos. A servidora nasceu com deficiência uterina e, segundo ela, precisou retirar o órgão após a primeira menstruação, quando teve cólicas tão fortes que a levaram para o hospital. “Só fui saber que não tinha mais útero 15 dias depois da cirurgia, quando fui retirar os pontos. O médico me explicou tudo e tive que me conformar. Na época, foi triste demais porque desde nova eu já gostava de criança e tinha vontade de ser mãe”, lembra a mãe biológica das gêmeas.
Fernanda se casou aos 20 anos e tentou adotar uma criança, mas não conseguiu. Em 2005, a servidora pública viu na TV a história de uma sogra que gerou o neto para a nora. “Minha mãe e minha sogra se ofereceram para gerar meu filho. Fomos ao médico, eu e minha mãe, mas o doutor disse que seria muito arriscado por causa da idade dela. Então, não deu certo”, lembra a funcionária pública, que na época também não tinha condições financeiras para bancar o procedimento.
Mesmo diante da tentativa frustrada, Fernanda não desistiu e, no início de 2011, voltou ao médico. Maria da Glória foi submetida a exames que revelaram a ótima saúde para gerar os bebês. “A primeira tentativa para a fertilização fracassou porque não ovulei muito. Mas na segunda vez ovulei bem e separamos quatro embriões bons. Dois usamos e os outros dois estão congelados”, revela Fernanda.

Só pra lembrar, o parto vai acontecer hoje, através de uma cesariana, às 19h30.

G1

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